quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A minha autocrítica, o marxismo e a degeneração de muitos comunistas


Aqueles que têm afinidades com o campo de esquerda marxista desejam ardentemente a revolução, ou seja, a transformação desse atual modelo societário para outro modelo, baseado na justiça, na equidade, no bem comum, na democracia popular, na felicidade de todos etc.


Esse “outro modelo” chamamos de socialismo, a fase inicial ou transicional, que irá desembocar no fim do Estado opressor/regulador, ou seja, no comunismo, que é uma sociedade livre (emancipada) e autogerida pelo povo, sem exploração do homem pelo próprio homem.


Esse é o “ABC” do marxismo (traduzido de uma maneira bem simplista, eu reconheço) defendido por muitos na esquerda brasileira e mundial, espalhados em diversos partidos e com clivagens diferentes, por vezes até lutando entre si (o problema da divisão da esquerda marxista fica para outro artigo).


Depois da emblemática queda do muro de Berlim, em 1989, tem-se uma crise de todo o “campo socialista” que gravitava em torno da antiga União Soviética (URSS) e militarmente defendido pelas tropas do Pacto de Varsóvia. Com isso, não somente mostrou-se esgotado aquele modelo de transição pós-capitalista (marcadamente stalinista), mas também colocou-se em dúvida a validade mesma das teorias de Marx e de todo o projeto socialista revolucionário – fazendo uma colagem equivocada entre o “marxismo-leninsimo” dos partidos-Estado com a teoria crítica marxiana e suas possibilidades contemporâneas.


Atualmente, os regimes burocráticos-autoritários comandados por partido único, tal como existe em Cuba, na Coréia do Norte, Vietnam e China, também não motivam as massas trabalhadoras (e nem os intelectuais) como exemplos de uma vida melhor do que o capitalismo democrático burguês, ainda que possamos reconhecer avanços sociais em alguns aspectos. Por onde ir? Onde buscar inspiração?


Muitos debandaram depois do colapso do “socialismo real”, mas alguns ficaram e continuam defendendo a tese de que o capitalismo não é a única e nem a melhor solução para o viver societal humano, basta olhar sua lógica expansionista, concentracionista, excludente, discriminatória e destrutiva. A utopia de um mundo comunista permanece de pé, ainda que tenha perdido enorme terreno simbólico em muitos países. Para a esquerda marxista, o comunismo é a conseqüência lógica da democracia que na sua feição burguesa apresenta limitações óbvias (cf. Yvon Quiniou em “Socialismo, impasses e perspectivas”, Scrita Editoral) .


A questão que se coloca é como mudar esse sistema capitalista, em especial, após a derrocada de um determinado modelo de transição (chamado de socialismo real)?


Alguns irão defender uma mudança societária dentro das “regras do jogo” da democracia liberal (pensando aqui na perspectiva de Norberto Bobbio e sua defesa das “regras democráticas” universais), ou seja, de eleição em eleição, de projeto em projeto, de cargo em cargo, nós vamos pontualmente mudando a sociedade até chegarmos ao “novo modelo”. Chamam isso de caminho democrático para o socialismo, entendendo que a democracia é um valor universal (portanto, não existe essa “velha” dicotomia de democracia burguesa e democracia popular). Esse “caminho democrático” para o socialismo envolveria uma paciência não-autoritária (Adam Przeworski).


O comunismo, pensando como Marx, é a própria radicalização da democracia que no seu aspecto burguês – ao que chamamos de democracias capitalistas ou liberais ou burguesas – apresenta profundos entraves para a democratização do fazer político, da participação, da economia e sua riqueza.


As crises e os conflitos são inúmeros. Nesse sentido, não defendo dicotomias excludentes, mas diferenças substantivas na democracia. No socialismo, caminho para o comunismo, há uma nova democracia que tem o poder popular como sua base e não o controle parlamentar hegemônico da classes empresarias-financeiras com seus representantes, fantoches e lacaios.


Os exemplos históricos até aqui, dessas tentativas de socializar dentro das “regras do jogo democrático” com o controle do grande capital, foram trágicos e não mostraram nenhuma eficácia, do ponto de vista da sua continuidade/estabilidade governamental. O eleitoralismo e o caminho parlamentar “democrático” não se mostrou historicamente uma opção válida de caminho para o socialismo-comunismo, ainda que reconheçamos as diversas vitórias do movimento operário e dos trabalhadores em geral dentro dos marcos dessa democracia eleitoral-parlamentar.


Em geral, as tentativas de um caminho democrático eleitoral para o socialismo tomaram dois rumos históricos concretos:


1- Acabaram em golpe de Estado pelas forças de direita (apoiadas pelo imperialismo internacional) contra esses governos de “caminho democrático” para o socialismo ou derrotas eleitorais manipuladas e apoiadas pelas classes empresariais e países imperialistas (O Chile de Allende e a Nicarágua de Ortega apontam nesse sentido e, em parte, Jango em 1964 no Brasil);


2- Acabaram em oportunismo puro, degeneração dos partidos de esquerda, com os seus líderes e partidos antes socialistas vivendo dentro das benesses do capitalismo burguês e abandonando assim a perspectiva da revolução popular ou transformação societária. O alvo agora passava a ser apenas manter-se e reproduzir-se no poder (governabilidade passa a ser um conceito comum), tornando-se na prática sociais-democratas com a conversa de que “o amanhã a Deus pertence”, portanto, vivamos o hoje e aproveitemos a “vida de príncipe” que o sistema nos proporciona no Parlamento ou em alguns cargos públicos e/ou comissionados.


Um segundo caminho apontado – semelhante ao primeiro, mas com um apelo mais radical – é o chamado “reformismo revolucionário”. Ele abraça com ardente fé a utopia socialista, acredita na revolução, até se diz comunista em alguns casos, mas enquanto o quadro histórico revolucionário não está posto na ordem do dia, vamos então reformando a sociedade burguesa e radicalizando os seus mecanismos democráticos elitistas até um dia chegarmos ao processo revolucionário e mudarmos esse modelo societário no caminho do socialismo. Em geral, gostam muito de citar Antonio Gramsci e seu conceito de hegemonia para assim legitimar sua busca de vitórias pontuais no interior da ordem dominante do capital até “aquele dia” (eu nunca achei Gramsci ou Rosa Luxemburgo reformista, mas...). Sua visão é etapista: Na primeira fase reformas, depois uma insurreição (ou ponto de ruptura) e a revolução que nos levará ao socialismo e com ele ao comunismo.


Semelhante ao primeiro grupo, muitos “reformistas revolucionários“, com o passar do tempo, esqueceram-se da revolução e ficaram apenas com o seu reformismo social-liberal, uma tentativa, por vezes até nobre, de “dar uma face mais humana” ao capitalismo burguês, gerenciado o velho Estado e seus mecanismos ideológicos e repressivos. Renderam-se a lógica do mercado com algumas doses keynesianas de intervenção e sentem-se profundamente satisfeitos com isso. É o possível e quem reclamar é “radical demais”, “esquerdista imbecil” e por aí vai.


Na prática, eles abandonaram a utopia comunista e se aliaram aos sociais-democratas na busca de eternas melhorias intra-sistêmicas, abandonando gradativamente a perspectiva crítica e sua revolução. Mudar para manter, ou seja, as reformas e melhorias no interior da ordem capitalista de mercados monopolistas se tornaram um fim em si mesmo.


Por último, encontramos os resistentes, aqueles que se mantém na crítica ao sistema capitalista tardio e não aceitam um mero reformismo sem perspectivas reais de uma mudança societária. Um outro mundo é possível.


Esses resistentes compreendem que a revolução não é necessariamente um momento isolado ou insurrecional, mas um processo crescente, um caminho ao comunismo, sem etapismos, mas conectados com os movimentos sociais e civis, protagonizado pela classe trabalhadora ampliada (o proletariado) e tendo como norte reflexivo o método de Marx (não sua versão dogmática estatal chamada de “marxismo-leninismo” pelos partidos de Estado no antigo socialismo real). Nesse sentido, o chamado eurocomunismo e o marxismo analítico podem nos fornecer importantes ferramentas reflexivas para a ação política concreta, incluindo é claro a boa tradição gramsciana e mesmo pensadores mais liberais como Norberto Bobbio não podem ser esquecidos.


Os que se colocam no campo revolucionário não são contrários às reformas sociais, econômicas e políticas dentro do sistema capitalista, mas apontam seus limites que, em última estância, nos conduzem ao necessário aprofundamento das mesmas que, aí vem a crise, redunda na ruptura do modelo societário vigente.


Esses revolucionários não temem se autodenominar como comunistas ou simplesmente marxistas e se encontram espalhados/divididos em diversos partidos (dentro do PT, PSB, PPS e do PDT ainda existem alguns isolados, além do PCB, PSOL, PCdoB, PPL, PSTU, AND, PC-ML, etc.) e ainda há outros atuando fora das estruturas partidárias atuais da esquerda brasileira, nos movimentos sociais e estudantis.


Todos esses marxistas que se mantém dentro do paradigma revolucionário – nos marcos de uma teoria crítica – juntos não cabem talvez numa caminhonete, ou seja, “somos todos grupelhos” como dizia Félix Guattarri (ainda que tenhamos profunda conexão com os interesses populares, das amplas maiorias), o que é pior, estamos divididos e fracionados, por vezes uns contra os outros e de uma maneira selvagem, anti-fraterna e estúpida.


Somos uma minoria dentro do atual cenário político, mas, quem disse que a maioria tem sempre razão? Precisamos pensar numa política de frente popular com um programa que não seja apenas uma maquiagem social no velho Estado burguês, mas aponte avanços progressistas, substanciais. É uma construção de médio ou longo prazo, dependendo da dinâmica societária, mas possível.


As minorias ideológicas também fazem história (e podem se transformar em maioria) e o modelo societário capitalista, mesmo que não estando hoje em colapso (mas sim em crise permanente), apresenta pelo menos cinco graves problemas sem solução nos seus marcos econômicos-sociais: o problema ecológico, o problema da riqueza e pobreza (o alargamento das diferenças), suas crises cíclicas, o desemprego estrutural e as questões étnicas (racismo, xenofobia, preconceitos em relação às "sexualidades dissidentes" etc.).


A minha história pessoal começou no PCB dos anos 80, durante a campanha “O PCB é legal” e no apoio a política frentista de consolidação do Estado de Direito Democrático. Depois, para o reformismo puro e simples foi um pulo, onde cheguei até mesmo a flertar com o novo liberalismo, tudo na busca de uma "solução política" pós-Queda do Muro.


Hoje, faço uma profunda autocrítica da minha atuação política e profissional – sou sociólogo formado com ênfase em ciência política. Vejo claramente que a injustiça e a barbárie é o resultado do modelo societário capitalista (mesmo esse sendo o capitalismo tardio ou pós-moderno se preferirem) e não há outro caminho ético-político senão a crítica revolucionária, sem nenhum esquerdismo dogmático e infantil, sabendo aproveitar as brechas sistêmicas para avanços no campo sindical, parlamentar, cultural, político, organizativo, etc.


A teoria crítica tem um enorme patrimônio político-cultural para se repensar no século 21, aproveitando o melhor de Marx, Lenin, Trotsky, Mao, Lukács, Althusser, Gramsci, Rosa Luxemburgo, os teólogos da libertação entre outros. Todos esses pensadores e suas experiências concretas são ricas para construirmos um caminho revolucionário escoimado dos equívocos do passado século 20.


Essa minha “guinada à esquerda” é fruto de quem apostou tudo no reformismo, comemorou a queda dos regimes da URSS e do Leste Europeu (o antigo “campo socialista”) para, no final das contas, perceber que nada mudou, o mundo não ficou melhor por conta disso e quem triunfou foi o capitalismo – que se tornou ainda mais cruel e sem freios diante da ausência de alternativas que servissem de “pressão“.


Com a queda do “socialismo real” não foi o reformismo social-democrático vinculado aos interesses do chamado “mundo do trabalho” (expressão que usávamos muito no PCB dos anos 80) que saiu vitorioso, nem mesmo evoluímos para uma democracia socialista, houve restauração capitalista e maior perda para os trabalhadores e oprimidos do mundo inteiro. O meu otimismo caiu por terra depois da avalanche neoliberal e do reacionarismo que as democracias burguesas assumiram, algumas sob gestão de antigos partidos de “esquerda”.


Tenho profunda consciência de que atuar criticamente dentro dos marcos de uma democracia liberal é muito difícil, pois as estruturas do Estado – sua base econômica ou infra-estrutura e seus aparelhos ideológicos ou superestrutura, duas dimensões que interagem na manutenção sistêmica – são trincheiras de poder que não são tão permeáveis a crítica ou oposição marxista que tem nos trabalhadores seu ator principal (o proletariado), sem contar que enfrentamos uma brutal alienação desses trabalhadores e oprimidos (as classes subalternas, como alguns preferem conceituar) e seu processo de reificação (lembrando aqui de Lukács) é estimulado pela mídia e aparelhos ideológicos correlatos.


O Estado é um aparelho hegemonizado pelos interesses das classes empresariais burguesas (incluindo o latifúndio que se transformou em agro-negócio, apoiado por interesses monopolistas internacionais), ou seja, pelo grande capital globalizado e multifacetado. Ele está funcionalmente à serviço dessas classes dominantes e, se necessário for, mantém o monopólio da força para reprimir todo e qualquer movimento contestatório que ameace o controle dessa elite de poder (C. W. Mills).


Suas leis (todo o seu ordenamento jurídico) e sua chamada “democracia” servem apenas como aparência de justiça “para todos”, de pseudo-liberdade e alternância de poder, pois na prática, sabemos que é um “jogo de cartas marcadas” onde a justiça funciona majoritariamente para os ricos e poderosos e os partidos burgueses mantém sempre a hegemonia no Congresso Nacional e na sociedade civil como um todo, restando aos críticos de esquerda alguns poucos e nebulosos espaços de atuação – que devem ser valorizados e nunca abandonados em nome de um pessimismo recluso, pois a minoria de hoje pode ser maioria amanhã.


Vejamos, como exemplo, as votações no Congresso, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras municipais onde parlamentares marxistas enfrentam derrotas acachapantes diante de uma ampla maioria financiada pelo grande capital. Recentemente, aqui na ALERJ, o projeto Nissan-Sérgio Cabral foi aprovado de maneira servil pelo parlamento estadual, onde todos os destaques de interesse popular ou “mais amplo” foram derrotados pelos lacaios do esquema de 6 bilhões de renúncia fiscal sem contrapartidas sociais ou ambientais


Os aparelhos ideológicos de Estado (parlamento, partidos, mídia, sistemas religiosos conservadores, escolas, sindicatos, família, aparato jurídico, instituições culturais, ONG’s, etc.) interagem com os aparelhos repressivos do Estado (Governo, administração pública, forças armadas, polícias, tribunais, sistema prisional, etc). Enquanto os primeiros atuam através do convencimento (ideologia), os segundos atuam em última instância com a violência repressiva, a garantia última da manutenção da ordem do capital e das classes empresariais.


Com isso, mesmo que um partido de esquerda conquiste um Governo (e aí eu deixarei para outro artigo sobre os problemas eleitorais para a esquerda marxista), ele estará sitiado por toda uma estrutura de poder (repressiva e ideológica) que irá lutar para manter a ordem societária capitalista, o que levará sempre a conflitos, tentativas de sabotagem, instabilidade governamental, etc.


O processo de detonação do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e do ministro Orlando Silva, que gerou sua queda, é um exemplos simples e ilustrativo.


Não sou favorável a nenhuma corrupção, nem sou membro deste partido, mas, sejamos honestos, por que será que a mídia – financiada com o dinheiro do grande capital e latifundiários – não defende uma CPI dos Bancos? Uma investigação do sistema de comunicação no Brasil e suas relações com o poder econômico-político? O financiamento das campanhas eleitorais?


Destruir com a imagem de um partido com o nome “comunista” é muito mais interessante para esse modelo societário que aí está - contribuindo ainda mais para gerar desesperança entre os trabalhadores - do que realmente acabar com os grandes tubarões da corrupção que mantém/reproduz a ordem burguesa no Brasil.


Por outro lado, sinceramente, não é de hoje que muitos críticos de esquerda apontam um processo de degeneração da direção atual do PCdoB que o transforma, de eleição em eleição, num partido ávido por cargos e postos de poder, consumido pelo eleitoralismo e alianças esquisitas com partidos burgueses e setores de direita, alguns chamados por seus dirigentes de “setores progressistas“ da sociedade brasileira. É triste e comprometedor. Necessário é repensar o PCdoB, sem negar a necessidade de alianças políticas com setores progressistas dentro dos marcos de uma democracia liberal como a nossa.


Pensemos nisso tudo e retornarei com outras reflexões, aguardando o seu comentário.

11 comentários:

  1. Companheiro!
    Muito interessante sua auto-crítica, porém voce faz uma boa observação do quadro politico ao que se convencionou chamar o pós socialismo, ou socialismo real, como queiram.
    Mas pelo que passa hoje o movimento de esquerda como um todo é consequencia das escolhas que os partidos do campo socialista em geral fizeram aparti da segunda metade do século passado, mesmo os que estavam no poder, como aqueles do leste europeu.
    É uma pena e uma perda muito grande o que resultou dos desvios cometido por esses partidos para o movimento socialista como um todo.

    Jorge Ferreira.
    Pós-Graduado em História.
    Militante do PCB

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  2. Companheiro Jorge Ferreira;

    Sem dúvida, os desvios burocráticos e autoritários que aconteceram nos países do "socialismo real" nos faz até hoje carregar um estigma de que comunista não é um democrata radical, mais ainda, de que o pensamento marxista estaria com isso infirmado pela própria experiência empírica.

    Tempos bicudos esses que vivemos e sinto-me hoje muito próximo do PCB.

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  3. Camarada: eu acho que vc deve estudar a história da União Soviética como um grande laboratório do marxismo e leninismo e deixar um pouco de lado as objeções do marxismo ocidental. O socialismo real foi o que existiu, não existe um imaginário. As novas experiências vão sair das ideias de Marx, Lenin, Stalin, Gramsci, Lukács, Mao, Trotsky, são esses quem devemos estudar, assim como as práticas que aconteceram. Abs do Lúcio jr.

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  4. Pois então, em Forjando a democracia: a história da esquerda de 1850 aos anos 2000, Eley trabalha que a continuação política dogmática do modelo sovietico, pós 56, obrigou os pcs e a esquerda a tomarem essa estrategia reformista.

    De qual quer forma não gosto muito de fazer a história dos vencidos como os marxistas ocidentais tem feito.

    Outra coisa, também não concordo que os países que ainda respira socialismo do século XX, seja esses que estão com partido único. Na verdade as diferenças entre eles podem ser maior do que entre eles e muito países capitalista.De qual quer forma entendi sua generalização!

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  5. Agradeço os comentários e as sugestões.

    Sim, eu não quero fazer "história dos vencedores" e nem embarcar numa crítica fácil do marxismo ocidental as experiências socialistas de tipo oriental ou nos países do cone sul.

    Estou aberto para estudar e refletir, mas, em linhas gerais, tenho distância da idéia de partido único, socialismo fechado em um único país e burocratismo-autoritário.

    Penso que o comunismo é a radicalização da democracia, o poder popular exercido e não uma ditadura regressiva e mais cruel do que o capitalismo. Esse paradigma democrático é o que me move, sem cair em reformismo burguês.

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  6. Márcio: Eu tb acreditava que o socialismo real acabando, ia ser melhor! Era o peixe que nos vendiam em todo lugar nos anos 80! Quem falava isso sabia que era mentira. Esse tipo de papo já vinha com Trotsky nos anos 30. Era isso que ele dizia, em plena ameaça da Alemanha nazista.

    O que devemos focar são as experiências que existiram. Esse seu panorama foi bom. Mas vc acredita muito na história que nos contaram durante a Guerra Fria, vc ainda retém muitos dos equívocos que nos levaram às tragédias de agora.

    Abs do Lúcio Jr.

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  7. E outra coisa: stalinismo não existe! Repito sempre! Stálin é fiel seguidor de Lênin! Nesse sentido vc precisa estudar mais! Abs!

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    1. Penso da mesma forma, por isso mesmo não sou leninista.

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  8. E outra: existindo estado, existe ditadura. Estamos numa ditadura disfarçada da burguesia, que com seus michel telós da indústria cultural deseja o domínio totalitário, sim.

    Ou nós trabalhadores impomos a ditadura do proletariado a eles (é povão no poder, legalista socialista!!!) ou eles impõem a ditadura do capital financeiro, escancarada ou escondida, a nós. É esse o dilema, ainda. Democracia nunca é valor universal abstrato. Tem o elemento de classe, sim. Nessa altura do texto vc disse uma grande besteira.

    O imperialismo é uma gaiola invisível. Che.

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    1. Penso que o conceito de ditadura do proletariado não deve ser usado para apoiar um "totalitarismo de esquerda". Ele é funcional para entendermos que mesmo em regimes democráticos, temos o poder constrangedor de quem tem o controle político.

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  9. “A ditadura do proletariado, período de transição para o comunismo, instituirá pela primeira vez uma democracia para o povo” (1983, p. 110) E continua:

    Ao mesmo tempo em que produz uma considerável ampliação da democracia, que se torna pela primeira vez a democracia dos pobres, a do povo e não apenas da gente rica, a ditadura do proletariado traz uma série de restrições à liberdade dos opressores, dos exploradores, dos capitalistas. Devemos reprimir-lhes a atividade para libertar a humanidade da escravidão assalariada, devemos quebrar a sua resistência pela força; ora, é claro que onde há esmagamento, onde há violência, não há liberdade, não há democracia. (1983, p. 109).

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